respostas diretas

Perguntas que este material responde

Cada resposta é autossuficiente: quem lê fora de contexto entende. Onde o assunto é tratado a fundo, o link leva ao capítulo.

O que é uma convicção numa palestra?

Convicção é a afirmação que você defende e que alguém poderia discordar. Não é o tema, não é uma pergunta e não é uma frase bonita: é o eixo em torno do qual tudo se organiza, e é ela que separa uma palestra, que afirma, de uma apresentação, que informa.

ler em Capítulo Ø3 · Convicção

Qual a diferença entre tema e convicção?

Tema é o assunto sobre o qual você fala; convicção é o que você afirma sobre esse assunto e que alguém poderia contestar. Um tema não tem oposição possível, e por isso não organiza nada: dá para falar dele por uma hora sem que a sala saiba contra o que você está.

ler em Capítulo Ø3 · Convicção

O que é a faixa fértil?

Faixa fértil é a região entre o óbvio, que ninguém paga para ouvir, e o inacreditável, que ninguém segue. A convicção precisa cair nessa faixa: acima dela a sala concorda antes de você terminar, abaixo dela a sala descarta a afirmação sem discutir.

ler em Capítulo Ø3 · Convicção

Como saber se a minha convicção é forte?

Uma convicção é forte quando existe alguém que defenderia o contrário com argumento que dá trabalho responder, quando aceitá-la derruba três ou mais objeções sozinha, e quando ela explica três casos em que você não aparece. Se nada disso acontece, ainda é tema.

ler em Capítulo Ø3 · Convicção

O que é a peça-pivô?

Peça-pivô é a peça de arsenal que sustenta a virada da palestra: se você a retirar, a afirmação deixa de se sustentar e a estrutura cai. Toda palestra montada tem uma, e reconhecê-la é o que permite podar o resto sem derrubar o eixo.

ler em Capítulo Ø6 · As seis peças

O que é o teste de reaplicação?

O teste de reaplicação verifica se a sua afirmação explica casos que não são o seu: você aplica a convicção a três situações novas, de áreas diferentes, e observa se ela continua explicando. Se só funciona na sua história, é relato, não convicção.

ler em Capítulo Ø3 · Convicção

O que é o autós?

Autós é o quarto recurso retórico, ao lado de ethos, pathos e logos: é você presente na palestra, sem virar o personagem principal, com a sua vida usada como prova. É o único dos quatro que não é técnica, e por isso o único que não pode ser reproduzido por outra pessoa.

ler em Capítulo 12 · O autós

Como cortar conteúdo de uma palestra?

Cortar é o trabalho principal de montar uma palestra, e se faz em quatro cortes numa ordem fixa, começando pelo que não responde à convicção. Cada peça que sai vai para um acervo com o motivo do corte escrito, para poder voltar em outra palestra em vez de se perder.

ler em Capítulo 11 · Poda

O que é uma peça órfã?

Peça órfã é a peça de arsenal que não reforça a convicção da palestra: costuma ser boa, costuma ter funcionado antes e é a primeira a cair na poda. Ela sobrevive por afeto, não por função, e é o sinal mais comum de palestra bonita e vazia.

ler em Capítulo 11 · Poda

Como adaptar a mesma palestra para 10 e 60 minutos?

A mesma palestra muda de tempo por remontagem, não por encurtamento: em 10 minutos entram partida, convicção, duas peças de arsenal, antítese e absolvição; em 60 minutos entram as seis peças inteiras mais reaplicação em casos novos e descida de escala.

ler em Capítulo 1Ø · Elasticidade

O que é o CCDA?

CCDA são os quatro campos que uma palestra precisa responder: contexto (pra quem?), convicção (contra o quê?), destino (pra onde?) e arsenal (com o quê?). Cada campo resolve um problema do seguinte, e se faltar um deles o resultado é um bom papo, não uma palestra.

ler em Capítulo Ø1 · O CCDA

Quais são os sete modelos de palestra?

Os sete modelos são: Ø1 enigma, ferramenta e reaplicação; Ø2 três atos; Ø3 histórias; Ø4 distorção, dado e virada; Ø5 promessa não cumprida; Ø6 recusa do óbvio; e Ø7 ressignificação encadeada. Cada um é um caminho diferente entre o que a plateia reconhece na entrada e o que ela leva na saída.

ler em Os sete modelos · abertura

Como escolher o modelo certo para a minha palestra?

Duas perguntas resolvem quase sempre: a sua convicção é conceitual ou vivida, e a sala chega receptiva ou cética. O cruzamento das duas respostas aponta o quadrante e os modelos dele. Caindo entre dois quadrantes, escolha o da esquerda: sala receptiva perdoa modelo errado, sala cética não.

ler em Os sete modelos · matriz de escolha

Um modelo de palestra pode conter outro?

Pode, e é comum: o modelo principal define o arco inteiro e outro modelo ocupa um bloco interno. O limite é fixo — um só modelo principal, e o bloco interno não passa da metade do tempo. Passando disso, você tem duas palestras disputando a mesma hora.

ler em Os sete modelos · as três regras

O que é amarração por escalada?

Amarração por escalada é fechar a palestra sem ponte explícita com o começo: cada bloco cobra mais caro que o anterior e a resposta continua a mesma, de modo que o fim conversa com o começo por acúmulo. A outra forma de amarrar é por costura, retomando no fim uma imagem, frase ou cena do início.

ler em Os sete modelos · as três regras

Qual modelo usar quando a sala é cética?

Com sala cética e convicção conceitual, use Ø4 distorção, dado e virada, ou Ø1 enigma; com convicção vivida, use Ø5 promessa não cumprida ou Ø6 recusa do óbvio. O modelo do dado é o mais eficiente quando existe evidência verificável, desde que a absolvição venha antes do dado.

ler em Os sete modelos · matriz de escolha

Processos, passo a passo

Montar o CCDA de uma palestra

Os quatro campos respondidos na ordem, porque cada um resolve um problema do seguinte.

  1. Responda pra quem. Descreva uma pessoa, não uma categoria: a segunda-feira de manhã dela, o que ela já cansou de ouvir e em que ela acredita que atrapalha ela.
  2. Responda contra o quê. Escreva a afirmação que alguém poderia discordar e verifique se ela está na faixa fértil, entre o óbvio e o inacreditável.
  3. Responda pra onde. Defina a única coisa que precisa acontecer com quem te ouve, num dos três caminhos — hábito, perspectiva ou palavra — de modo que alguém de fora consiga verificar.
  4. Responda com o quê. Junte o arsenal que reforça a afirmação, sem exigir prova cabal, e só depois escolha o que fica.
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Quebrar uma crença em três tempos

A sequência que faz a sala largar o que já pensava sem se sentir atacada.

  1. Nomeie a crença. Diga em voz alta a crença comum que a sua afirmação contraria: sem refutação, a sala concorda com tudo e não muda nada.
  2. Levante a objeção mais forte. Diga você mesmo a antítese, a objeção mais dura contra a sua afirmação, antes que alguém na sala levante a mão.
  3. Absolva sem retirar o diagnóstico. Tire a culpa de quem acreditava naquilo, explicando por que a crença fazia sentido, sem suavizar o diagnóstico que você acabou de dar.
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Aplicar o teste da peça-pivô

Quatro passos para descobrir qual peça sustenta a virada da palestra.

  1. Liste as peças ativas. Escreva as peças de arsenal que estão na versão atual da palestra.
  2. Retire uma peça. Remova mentalmente uma peça e releia a sequência sem ela.
  3. Verifique a afirmação. Pergunte se a convicção continua se sustentando com a peça fora; se continua, a peça não é pivô.
  4. Marque a que derruba. A peça cuja ausência derruba a afirmação é a peça-pivô, e ela não entra na poda.
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Fazer a poda de uma palestra

Quatro cortes em ordem, com o motivo de cada corte escrito no acervo.

  1. Corte a peça órfã. Tire primeiro tudo que não reforça a convicção, por melhor que a peça seja.
  2. Corte a repetição. Quando duas peças reforçam o mesmo ponto, fica a mais concreta e sai a outra.
  3. Corte o que a sala já sabe. Retire o trecho que a plateia já reconhece sem esforço e que não move a afirmação.
  4. Corte para caber no tempo. Faça o último corte pelo relógio, remontando a palestra no tempo disponível em vez de encurtar todas as partes na mesma proporção.
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Escolher o modelo da sua palestra

A régua de decisão dos sete modelos: duas perguntas, um quadrante, e a regra de desempate quando a resposta fica no meio.

  1. Classifique a convicção. Decida se a sua afirmação é conceitual, quando ela se sustenta por raciocínio, ou vivida, quando ela se sustenta pelo que você atravessou.
  2. Classifique a sala. Decida se a plateia chega receptiva, disposta a acompanhar, ou cética, precisando de prova antes de conceder qualquer coisa.
  3. Cruze na matriz. Leve as duas respostas ao quadrante correspondente e leia os modelos que caem nele: receptiva e conceitual leva a Ø2 e Ø7, cética e conceitual a Ø1 e Ø4, receptiva e vivida a Ø3, cética e vivida a Ø5 e Ø6.
  4. Aplique o desempate. Caindo entre dois quadrantes, escolha o da esquerda: sala receptiva perdoa modelo errado, sala cética não.
  5. Confira pela notação. Leia a notação horizontal do modelo escolhido e verifique se o tempo de palco de cada bloco cabe na sua palestra e se a virada está no lugar certo.
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