Os sete modelos
abertura · o caminho entre os dois pontos
O modelo é o caminho entre o que a plateia reconhece na entrada e o que ela leva na saída, e existem sete. Escolher errado não estraga o conteúdo, estraga a chegada. Duas perguntas decidem quase sempre: a convicção é conceitual ou vivida, e a sala chega receptiva ou cética.
Os
Material completo, com framework e passo a passo
Este material é para quem vai construir uma palestra e precisa escolher o caminho. Ele explica cada um dos sete modelos em linguagem comum, mostra o desenho de cada um, ensina a montar e dá exemplo pronto.
Não é preciso conhecer a metodologia para ler. Todo termo próprio está explicado na primeira vez que aparece.
O que é um modelo
Toda palestra que funciona faz a mesma coisa: começa falando de algo que a plateia já conhece e termina fazendo ela olhar para aquilo mesmo de um jeito diferente.
São dois pontos. O que ela reconhece na entrada, e o que ela leva na saída.
O modelo é o caminho entre esses dois pontos.
Existem sete caminhos. Eles não foram inventados: foram observados em discursos que funcionaram, em países e décadas diferentes. Cada um serve a um tipo de afirmação e a um tipo de sala.
Escolher errado não estraga o conteúdo, estraga a chegada. A mesma ideia entregue pelo caminho errado cansa, soa óbvia ou não convence.
Os sete, em uma linha cada
| Modelo | O que ele faz | |
|---|---|---|
| 01 | Enigma, ferramenta, | abre com perguntas sem resposta, entrega uma ferramenta, resolve as perguntas com ela |
| 02 | Três atos | mostra como era, o que quebrou, e o que o mundo novo exige |
| 03 | Histórias | conta n histórias fechadas, e a afirmação nasce do acúmulo |
| 04 | Distorção, dado, virada | mostra no que a plateia acredita, prova que está errado, reposiciona |
| 05 | Promessa não cumprida | invoca um compromisso que a casa assumiu, mostra a distância, convoca |
| 06 | Recusa do óbvio | anuncia que não vai dar o discurso esperado e entrega o degrau seguinte |
| 07 | Ressignificação encadeada | revira uma palavra do cotidiano até ela virar a afirmação |
A
Cada modelo tem um desenho próprio. Todos usam a mesma notação, lida da esquerda para a direita, como o tempo da palestra corre.
┏━━━ abertura, a barra que começa
┗━━━ fechamento, a barra que encerra
███ [bloco estrutural](#glossario:Bloco%20estrutural) · o que sustenta o modelo, sem ele o modelo cai
▒▒▒ [bloco de apoio](#glossario:Bloco%20de%20apoio) · prova, história, exemplo, dado
▓▓▓ [a virada](#glossario:Virada) · onde o significado muda
━━━ a linha do tempo
┴ marca de bloco sobre a linha
Exemplo de leitura. Um desenho assim
┏━━▒▒▒━━━█████━━━▒▒▒━━▓▓▓━━┗
se lê como: abre, entrega um apoio curto, sustenta um bloco estrutural longo, mais um apoio, e vira no fim.
A largura importa. Bloco largo ocupa mais tempo de palco. Bloco estreito passa rápido.
A
Duas perguntas decidem quase sempre.
A primeira: sua afirmação é conceitual ou vivida?
Conceitual é quando você defende uma ideia que se sustenta por argumento, como uma nova forma de entender liderança. Vivida é quando você defende algo que aprendeu na pele e prova com a própria trajetória.
A segunda: a sala chega receptiva ou cética?
Receptiva é quando as pessoas já querem ouvir. Cética é quando elas chegam de braços cruzados, seja porque já ouviram demais sobre o tema, seja porque desconfiam de quem está falando.
SALA RECEPTIVA SALA CÉTICA
│ │
[CONVICÇÃO](#glossario:Convic%C3%A7%C3%A3o) │ 02 três atos │ 01 enigma
CONCEITUAL │ 07 ressignificação │ 04 dado
│ │
─────────────┼─────────────────────┼───────────────────
│ │
CONVICÇÃO │ 03 histórias │ 05 promessa
VIVIDA │ │ 06 recusa
│ │
Regra de desempate. Caindo entre dois quadrantes, escolha o da esquerda. Sala receptiva perdoa modelo errado. Sala cética não.
Regra rápida, sem matriz
Tenho um diagrama ou modelo próprio? → 01
Contrario uma percepção e tenho dado duro? → 04
É dentro de empresa com valores escritos? → 05
O tema está saturado, todo mundo já ouviu? → 06
Tenho histórias próprias fortes? → 03
A afirmação é conceitual e o público é técnico? → 07
Nada encaixa com clareza? → 02
Três regras que valem para todos
1 · Um modelo pode conter outro
O modelo principal define o arco inteiro. Outro modelo pode ocupar um bloco interno.
Isso é comum: em dez discursos lidos peça por peça, seis fazem isso. Um arco de ressignificação pode ter, no meio, um bloco completo de enigma e reaplicação.
A regra: um só modelo principal, e o bloco interno não passa da metade do tempo. Passando disso, você tem duas palestras disputando a mesma hora.
2 · Toda palestra amarra
Amarrar é fazer o fim conversar com o começo. Existem duas formas.
Por costura. Você retoma no fim uma imagem, uma frase ou uma cena do começo. É a forma mais comum e a mais fácil de executar.
Por escalada. Não existe ponte nenhuma entre os blocos. O que amarra é que cada bloco cobra mais caro que o anterior e a resposta continua a mesma.
Nos dez discursos lidos, todos amarram. Não existe exemplo forte sem .
3 · As seis peças valem em qualquer modelo
O modelo escolhe o caminho. Ele não dispensa nenhuma destas seis:
| Peça | O que é |
|---|---|
| Ponto de partida | a cena por onde você entra, que a plateia já conhece |
| Refutação | a crença corrente que você contraria |
| a objeção mais forte contra você, dita por você | |
| tirar a culpa de quem ouve depois de um diagnóstico duro | |
| você presente na palestra, sem virar o personagem principal | |
| o ponto de partida devolvido com outro significado |
Como usar este material
Se você já sabe o que quer afirmar, use a matriz, escolha o modelo, abra o arquivo dele e siga o passo a passo.
Se você ainda não sabe, leia os sete de uma vez. É comum a pessoa descobrir o que quer afirmar ao reconhecer o formato que combina com o material que ela tem.
Se você já tem uma palestra pronta, leia o modelo que ela parece ser hoje e depois leia um que você nunca consideraria. Trocar de modelo costuma resolver problema que parecia de conteúdo.
Os arquivos
| Arquivo | Modelo |
|---|---|
01-enigma-ferramenta-reaplicacao.md | quando você tem um diagrama próprio |
02-tres-atos.md | a escolha segura |
03-historias.md | quando o repertório pessoal é forte, com as três variantes |
04-distorcao-dado-virada.md | quando a sala é cética |
05-promessa-nao-cumprida.md | dentro de organização com valores escritos |
06-recusa-do-obvio.md | quando o tema está saturado |
07-ressignificacao-encadeada.md | quando a afirmação é conceitual |
01-enigma-ferramenta-reaplicacao.md02-tres-atos.md03-historias.md04-distorcao-dado-virada.md05-promessa-nao-cumprida.md06-recusa-do-obvio.md07-ressignificacao-encadeada.mdSua afirmação é conceitual ou vivida?
A sala chega receptiva ou cética?
regra de desempate caindo entre dois quadrantes, escolha o da esquerda; sala receptiva perdoa modelo errado, sala cética não.
- Tenho um diagrama ou modelo próprio?→ Ø1 Enigma, ferramenta, reaplicação
- Contrario uma percepção e tenho dado duro?→ Ø4 Distorção, dado, virada
- É dentro de empresa com valores escritos?→ Ø5 Promessa não cumprida
- O tema está saturado, todo mundo já ouviu?→ Ø6 Recusa do óbvio
- Tenho histórias próprias fortes?→ Ø3 Histórias
- A afirmação é conceitual e o público é técnico?→ Ø7 Ressignificação encadeada
- Nada encaixa com clareza?→ Ø2 Três atos
Um modelo pode conter outro
O modelo principal define o arco inteiro, e outro modelo pode ocupar um bloco interno. Em dez discursos lidos peça por peça, seis fazem isso. O limite é fixo: um só modelo principal, e o bloco interno não passa da metade do tempo. Passando disso, você tem duas palestras disputando a mesma hora.
Toda palestra amarra
Amarrar é fazer o fim conversar com o começo, e existem duas formas. Por costura, você retoma no fim uma imagem, frase ou cena do começo. Por escalada, não existe ponte nenhuma: cada bloco cobra mais caro que o anterior e a resposta continua a mesma. Nos dez discursos lidos, todos amarram.
As seis peças valem em qualquer modelo
O modelo escolhe o caminho, não dispensa peça nenhuma. Ponto de partida, refutação, antítese, absolvição, autós e reposicionamento continuam obrigatórios em qualquer um dos sete caminhos.
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