Enigma, ferramenta, reaplicação
quando você tem um diagrama próprio
Este modelo transforma a plateia em investigadora antes de transformá-la em aluna. Você deixa três enigmas em aberto, entrega a ferramenta como alívio e reaplica até que quem prove a ferramenta sejam os casos, não você. Exige ferramenta própria e sala analítica.
preenchido é bloco estrutural · contorno é bloco de apoio · preenchido em vermelho é a virada, o momento em que o significado muda · a largura é o tempo de palco.
MODELO 01 · Enigma, ferramenta,
Em uma frase: você abre com perguntas que ninguém sabe responder, entrega uma ferramenta própria, e volta às perguntas resolvendo todas com ela.
O que ele faz
Este modelo transforma a plateia em investigadora antes de transformar ela em aluna.
Você começa mostrando duas ou três coisas estranhas. Casos que todo mundo conhece e ninguém explica direito. Deixa as três em aberto e não responde nenhuma.
A sala fica desconfortável, e esse desconforto é o motor. Quando você finalmente entrega a ferramenta, ela não chega como teoria. Chega como alívio.
Depois você volta a cada enigma e dissolve um por um. E aí acontece a coisa mais importante do modelo: quem prova a ferramenta não é você, são os casos.
O desenho
[[NOTACAO:enigma]]
┏━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━┓
▒▒ ▒▒ ▒▒ ██████████ ▒▒▒▒▒▒ ▒▒ ▒▒ ▒▒ ▒▒ ▒▒ ▓▓▓▓
━━─┴┴────┴┴────┴┴──────────██████████──────▒▒▒▒▒▒─────┴┴───┴┴───┴┴────┴┴─┴┴──────▓▓▓▓━━
A1 A2 A3 NOTAÇÃO SUSTENTO A1' A2' A3' N1 N2 FECHO
└─ enigmas em aberto ─┘ └─ a ferramenta ─┘ └─── reaplicação ───┘
┗━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━┛
Como ler. Três apoios curtos na entrada, que são os enigmas. Um largo no meio, que é a ferramenta. Um apoio para sustentar. Depois cinco apoios curtos, que são as reaplicações. E no fim.
Atenção à assimetria. Os enigmas são curtos e a ferramenta é larga. Se você gastar mais tempo nos enigmas do que na ferramenta, a sala se cansa antes de receber a chave.
Quando usar
Use quando você tem uma ferramenta própria. Um diagrama, uma fórmula, três termos que se relacionam, uma forma de olhar que é sua.
Use com sala cética. Este é o melhor modelo para quem chega desconfiado, porque você não pede que acreditem em você. Pede que acompanhem um raciocínio.
Use com público analítico. Gente técnica gosta de ver a ferramenta sendo testada.
Quando não usar
Se você não tem ferramenta. Sem ela, os enigmas ficam abertos e a palestra vira lista de curiosidades.
Se a ferramenta é frágil. Ela vai ser testada três ou mais vezes na frente de todo mundo. Ferramenta que só funciona no seu caso desmorona na segunda reaplicação.
Se a plateia não conhece os casos. O enigma só funciona se a pessoa já sabia daquilo e nunca tinha parado para pensar.
Passo a passo
1 · Escreva sua ferramenta em uma linha
Antes de qualquer coisa, teste se ela existe mesmo. Escreva em uma linha, e se não couber, ainda não está pronta.
Exemplo: resultado é a soma do que cada um faz vezes o sinal de como faz.
2 · Liste dez casos que sua ferramenta explica
Dez, não três. Você vai precisar da folga.
3 · Marque quais desses casos a sua plateia já conhece
Esse é o filtro que elimina a maioria. Só serve como enigma o caso que a pessoa já conhecia. Se você precisa explicar o caso antes de propor o enigma, ele não é enigma, é história.
4 · Escolha três, e que sejam de áreas diferentes
Três casos do mesmo setor parecem coincidência. Três de áreas distantes parecem lei.
5 · Formule cada um como pergunta, e não responda
Escreva as três perguntas e leia em voz alta seguidas. Se você sentir vontade de responder a primeira antes de fazer a segunda, segure. A tensão acumulada é o combustível.
6 · Prepare o sustento
Depois de apresentar a ferramenta, alguém na sala vai pensar que aquilo é opinião sua. Você precisa de um bloco que mostre que não é: um dado, uma base científica, um histórico, uma origem.
7 · Volte aos três, na mesma ordem
Mesma ordem em que você abriu. A plateia guardou a sequência, e quebrar a ordem custa atenção.
8 · Acrescente dois casos novos
Depois de resolver os três, entregue dois que a plateia não esperava. Um deles deve ser um fracasso.
Esse detalhe é o que separa a ferramenta boa da ferramenta de vitrine: ela precisa explicar também quem deu errado.
9 · Feche reposicionando
Volte ao primeiro enigma e mostre que a pergunta era outra desde o começo.
Exemplo montado
: gerência de operação industrial, uma hora, sala cética.
Ferramenta: resultado não é soma, é produto. Se uma área falha, ela não subtrai, ela anula.
ENIGMA 1 por que a parada de março, com o mesmo time e o mesmo
orçamento da de setembro, atrasou o dobro?
ENIGMA 2 por que a área que mais recebeu treinamento no ano passado
é a que mais abre chamado?
ENIGMA 3 por que todo mundo entregou no prazo e a entrega final atrasou?
[as três ficam em aberto]
FERRAMENTA soma contra produto, desenhada no quadro
4 + 0 = 4 · uma área parada, as outras seguem
4 × 0 = 0 · uma área parada, o conjunto para
SUSTENTO o histórico dos últimos cinco anos de parada,
mostrando que o atraso nunca foi proporcional à falha
A1' março teve uma área em zero, setembro não teve nenhuma
A2' treinamento aumenta a base, não corrige o sinal
A3' dá para entregar no prazo tendo atropelado a área do lado
CASO NOVO a unidade que reduziu o tempo de parada sem contratar ninguém
FRACASSO a que investiu mais que todas e piorou
FECHO a pergunta nunca foi quem atrasou. Foi quem zerou.
As falhas mais comuns
Responder o primeiro enigma na hora. É quase irresistível e destrói o modelo. A tensão é o que faz a ferramenta ter valor.
Ferramenta com peças demais. Três termos é o limite confortável. Cinco já exige slide e explicação, e aí você gasta na ferramenta o tempo que precisava para reaplicar.
Reaplicar em casos parecidos. Se os três são do mesmo setor, você provou que a ferramenta funciona naquele setor, e não que ela funciona.
Esquecer o fracasso. Ferramenta que só explica sucesso é sorte com nome bonito.
Para estudar
A execução de referência deste modelo está na ficha 06, do TED do Simon Sinek sobre a ordem da comunicação. Ele abre com três anomalias, apresenta um diagrama, sustenta com base biológica e reaplica em cinco casos, um deles um fracasso.
A ficha 01 mostra este modelo funcionando dentro de outro: um bloco completo de enigma e reaplicação ocupando um terço de uma palestra cujo arco principal é outro.